Um novo burburinho começa a movimentar os bastidores da direita em Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja passou a ser cotado para comandar o Ministério da Agricultura em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
A possibilidade ainda não passa de uma articulação política, mas, se o cenário se confirmar, poderá provocar uma mudança importante na representação de Mato Grosso do Sul no Senado.
Azambuja disputa uma das duas vagas ao Senado pelo PL. E a composição de sua chapa já está definida: Nelsinho Trad, do PSD, é o primeiro suplente, enquanto Felipe Mattos, do União Brasil e ex-secretário de Fazenda de Azambuja, ocupa a segunda suplência. A composição foi oficializada nas convenções partidárias de 1º de agosto.
Isso significa que, se Azambuja for eleito e posteriormente deixar o Senado para assumir um ministério, quem assumirá inicialmente sua cadeira será Nelsinho Trad.
E é justamente aí que está a curiosidade política.
Azambuja é hoje uma das principais lideranças do PL em Mato Grosso do Sul e está inserido no campo político que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro. Nelsinho, por sua vez, pertence ao PSD, partido de centro e de perfil mais pragmático, que não se confunde com a direita conservadora representada pelo PL.
A eventual ida de Azambuja para a Agricultura, portanto, poderia produzir uma situação bastante peculiar: um governo de direita em Brasília, um ministro sul-mato-grossense ligado ao agronegócio e, no Senado, seu primeiro suplente, Nelsinho Trad, ocupando a cadeira conquistada pela chapa do PL.
Nelsinho não chegou à suplência por acaso. Ele abriu mão da própria candidatura à reeleição para integrar a chapa de Azambuja, num movimento político que ajudou a consolidar a aliança entre PSD e PL no Estado.
Já Felipe Mattos, embora tenha sido inicialmente apontado como favorito à primeira suplência, acabou ficando com a segunda vaga. Seu perfil é essencialmente técnico: foi secretário de Fazenda no governo Azambuja e é considerado um nome de confiança do ex-governador.
Assim, o rumor sobre Azambuja no Ministério da Agricultura ganha uma dimensão que vai além de Brasília.
Se a hipótese virar realidade, o primeiro efeito político em Mato Grosso do Sul poderá ser justamente a chegada de Nelsinho Trad ao Senado como suplente de um dos principais nomes da direita estadual.
Na política, às vezes uma vaga de suplente diz tanto sobre uma eleição quanto o próprio candidato.




