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Janja amplia atenção sobre evangélicos e levanta questionamentos sobre estratégia eleitoral

Frame de vídeo divulgado

Primeira-dama intensifica aproximação com segmento no qual Lula enfrenta forte resistência, enquanto episódios do Carnaval voltam ao centro das críticas

A primeira-dama Janja da Silva ampliou sua atuação junto ao eleitorado evangélico e passou a ocupar um papel de destaque na estratégia do PT para tentar reduzir a resistência a Lula entre os cristãos. O movimento ganhou força com a criação do comitê “Evangélicos e Evangélicas com Lula”, lançado em meio à campanha eleitoral de 2026. A iniciativa ocorre justamente quando pesquisas mostram ampla vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos. No Datafolha divulgado em agosto, o senador aparece com 62% das intenções de voto no segmento, contra 29% de Lula.

A aproximação de Janja não começou agora. Nas últimas semanas, ela participou de encontros com mulheres evangélicas, passou a destacar os chamados “valores da nossa fé cristã” e chegou a cantar um jingle gospel ao lado do pastor e cantor Kleber Lucas em evento da campanha. O PT também estruturou comitês específicos para dialogar com o segmento, deixando evidente que o eleitorado evangélico passou a ocupar espaço estratégico na disputa.

O contraste com episódios recentes também alimenta as críticas. Durante o Carnaval deste ano, a Acadêmicos de Niterói levou à Sapucaí a ala “Neoconservadores em Conserva”, com representações de grupos religiosos evangélicos e uma alegoria de “família em conserva”. A escola classificou a ala como uma sátira aos setores conservadores que se opõem a Lula. O episódio provocou reação de setores da oposição, que consideraram a representação ofensiva aos evangélicos.

Janja chegou a ser anunciada para desfilar no último carro alegórico da escola, em homenagem a Lula, mas desistiu de participar na avenida. A crítica feita agora por setores conservadores é que, enquanto manifestações carnavalescas associadas ao campo político de Lula foram acusadas de ridicularizar valores ligados à família e ao segmento evangélico, a primeira-dama passou a ocupar a linha de frente da tentativa de conquistar justamente esse público.

Não há prova de que Janja tenha mudado suas convicções religiosas por interesse eleitoral. O que é objetivo é que a campanha de Lula intensificou a aproximação com os evangélicos em um momento no qual o petista enfrenta uma desvantagem expressiva nesse eleitorado. O próprio coordenador do Setorial Inter-religioso do PT afirmou que a estratégia busca “virar voto”.

E é justamente aí que surge a pergunta que incomoda os críticos: se até ontem o conservadorismo, a família tradicional e os evangélicos podiam virar motivo de sátira no Carnaval, por que agora passaram a ser tratados como um público tão importante e tão merecedor de atenção? Seria uma nova descoberta da fé cristã ou apenas uma descoberta tardia de onde estão os votos?

Em ano eleitoral, pelo visto, até o que antes era motivo de piada pode virar prioridade de campanha. Resta ao eleitor evangélico decidir se está diante de uma aproximação sincera ou de mais uma parada obrigatória no caminho das urnas.

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