Novas informações sobre as mensagens de Daniel Vorcaro e o pedido de André Mendonça à PGR aumentam a pressão por uma apuração formal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes
O avanço das informações sobre os contatos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes torna cada vez mais difícil evitar que o plenário do Supremo Tribunal Federal tenha de analisar formalmente a conduta do ministro no caso envolvendo o Banco Master. André Mendonça já solicitou à Procuradoria-Geral da República informações complementares sobre mensagens que citam diretamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O conteúdo das conversas amplia o peso institucional do episódio. Nas mensagens obtidas pela Polícia Federal, Vorcaro pede a Moraes que interceda para evitar possíveis medidas contra seus interesses e afirma estar disposto a prestar esclarecimentos. Em outro trecho, o banqueiro relata suposta pressão sobre o Banco Central e manifesta preocupação com ações que poderiam comprometer seus negócios.
A confirmação de que as mensagens foram efetivamente encaminhadas a Moraes também altera o cenário. Segundo as informações divulgadas, o ministro teria respondido por meio do recurso de visualização única do WhatsApp. O dado é relevante porque, anteriormente, havia controvérsia sobre a existência dos contatos e sobre quem seria o destinatário das mensagens. Agora, a confirmação pela investigação da PF coloca o episódio em outro patamar.
Há ainda um elemento que aumenta a necessidade de esclarecimento público: a proximidade demonstrada nas conversas. Em uma delas, Vorcaro informa que pretendia alterar uma viagem a Abu Dhabi para tentar encontrar Moraes. Na mesma comunicação, menciona o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e relata informações que teria recebido sobre possíveis medidas envolvendo o Master.
Mendonça ainda não determinou uma investigação contra Moraes, e as mensagens, isoladamente, não comprovam a prática de crime ou irregularidade pelo ministro. O que elas fazem é criar um conjunto de questões que, diante da relevância dos envolvidos, dificilmente poderá permanecer sem uma resposta institucional. Se as informações solicitadas à PGR confirmarem os elementos já divulgados, cresce de forma significativa a possibilidade de que Mendonça leve o assunto ao plenário do STF.
Nesse cenário, a discussão deixa de ser apenas política e passa a envolver diretamente a credibilidade das instituições. Se ministros da Corte podem manter contatos com empresários sob investigação e receber pedidos relacionados à atuação da PF, da PGR ou do Banco Central, é indispensável que os fatos sejam esclarecidos pelos mecanismos previstos na própria Justiça. A essa altura, a abertura de uma apuração formal sobre o episódio parece cada vez menos uma possibilidade remota e cada vez mais um desfecho difícil de evitar.
As informações são dos portais CNN Brasil e Metrópoles.




