Polêmica levantada pelo STF coloca em evidência profissionais consagrados que construíram carreira na imprensa sem graduação específica na área
A discussão sobre a necessidade de diploma específico para o exercício do jornalismo voltou ao centro do debate nesta semana, após manifestações dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O tema chama atenção porque a própria história da imprensa brasileira reúne profissionais de grande projeção que atuaram sem formação superior em Jornalismo.
Entre os nomes estão Assis Chateaubriand, Samuel Wainer, Carlos Lacerda, Roberto Marinho, Boris Casoy, Ricardo Boechat e Joseval Peixoto. São trajetórias diferentes, mas que têm em comum a construção de carreiras relevantes na imprensa sem o diploma específico que agora volta a ser discutido no Supremo.
Boris Casoy, um dos nomes mais conhecidos do telejornalismo brasileiro, começou a trabalhar como locutor ainda adolescente. Embora tenha iniciado o curso de Direito, não concluiu a graduação. Ao longo de décadas, consolidou-se na televisão e no rádio, tornando-se uma referência para diferentes gerações de profissionais.
Ricardo Boechat também construiu uma longa trajetória sem graduação em Jornalismo. Conhecido pelo estilo direto e pela disposição para abordar temas controversos, tornou-se um dos principais nomes do rádio e da televisão brasileira, especialmente durante sua passagem pela Band.
Outro caso emblemático é o de William Bonner. O apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional por quase três décadas é formado em Comunicação Social pela USP, mas sua habilitação foi em Publicidade e Propaganda, e não em Jornalismo. Ele iniciou a carreira na publicidade antes de migrar para o rádio e, posteriormente, para a televisão.
Na história da imprensa, os exemplos são ainda mais numerosos. Assis Chateaubriand comandou os Diários Associados sem formação específica em Jornalismo. Samuel Wainer fundou o jornal Última Hora, enquanto Carlos Lacerda criou a Tribuna da Imprensa. Roberto Marinho, fundador do Grupo Globo, também não possuía diploma específico na área.
A controvérsia ganhou força no STF após declarações de Flávio Dino sobre os limites do sigilo da fonte e de Alexandre de Moraes a respeito da liberdade de imprensa e do cometimento de crimes. O ministro Gilmar Mendes, relator do julgamento de 2009 que derrubou a obrigatoriedade do diploma, afirmou que a questão pode voltar a ser discutida caso se entenda haver comprometimento da qualidade da informação.
O debate coloca em lados diferentes duas preocupações legítimas: a formação profissional e a liberdade de acesso à profissão. A experiência brasileira, porém, mostra que uma exigência formal de diploma não foi condição indispensável para que profissionais alcançassem reconhecimento, influência e credibilidade junto ao público. É justamente esse histórico que volta a ganhar relevância diante da possibilidade de o STF revisitar o assunto.
Com informações do portal Pleno News.




