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Queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos trava mercado e arroba cai a R$ 315

Consumo interno enfraquecido limita as compras da indústria, enquanto produtores resistem a negociar animais por valores menores

O mercado físico do boi gordo permaneceu com baixa movimentação na quarta-feira (8), com poucos negócios e preços praticamente estáveis na maioria das praças pecuárias. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), frigoríficos e pecuaristas mantêm uma postura cautelosa diante do enfraquecimento do consumo de carne bovina no mercado interno.

Embora parte dos frigoríficos de São Paulo tenha mantido as atividades durante o feriado estadual de quinta-feira (9), o volume de negociações já havia diminuído no dia anterior. A maior parte dos negócios foi fechada nos mesmos patamares registrados na terça-feira (7), indicando um mercado sem força para grandes alterações nas cotações.

Em Colíder, no norte de Mato Grosso, compradores avaliaram que a oferta de animais estava confortável. Os pecuaristas, no entanto, continuaram resistentes às tentativas de redução dos preços. A arroba do boi gordo foi negociada entre R$ 315 e R$ 320, enquanto as escalas de abate variaram de seis a dez dias.

Em Cassilândia, Mato Grosso do Sul, frigoríficos chegaram a reduzir as ofertas em R$ 5 por arroba, mas não conseguiram fechar negócios. A disponibilidade limitada de animais terminados ajudou a sustentar as cotações entre R$ 325 e R$ 330 por arroba. As escalas de abate ficaram entre cinco e nove dias.

Consumo interno limita reação do mercado

O principal obstáculo enfrentado pela indústria continua sendo o baixo desempenho das vendas de carne bovina no mercado doméstico. Conforme o Cepea, nem mesmo o período de pagamento dos salários foi suficiente para provocar uma reação mais consistente da demanda.

Em algumas regiões, frigoríficos voltados principalmente ao abastecimento interno reduziram o ritmo de abates diante da lentidão na comercialização da carne. O movimento demonstra a dificuldade das empresas em ampliar as compras de animais enquanto os estoques apresentam saída mais lenta.

A fraqueza do consumo também pressiona os preços no atacado. Na Grande São Paulo, a carcaça casada bovina negociada à vista voltou a cair e passou a ser comercializada a R$ 23,77 por quilo. O valor está aproximadamente R$ 1 abaixo da média registrada em meados de junho.

Na avaliação do Cepea, o mercado deve continuar travado nos próximos dias. De um lado, os frigoríficos tentam reduzir os preços diante das vendas enfraquecidas; do outro, os pecuaristas resistem em negociar os animais por valores menores, sustentados pela oferta limitada de gado pronto para o abate.

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