Número de mulheres assassinadas por razões de gênero aumentou 4% em relação a 2024; maioria das vítimas era negra e morreu dentro de casa.
O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica e o quarto recorde consecutivo. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), e representam um aumento de 4% na comparação com o ano anterior. A taxa nacional chegou a 1,4 morte para cada 100 mil mulheres.
O crescimento ocorre na contramão dos demais indicadores de violência letal. No mesmo período, o país contabilizou 40.775 Mortes Violentas Intencionais, redução de 8,2% em relação a 2024 e menor taxa da série histórica, com 19,1 mortes para cada 100 mil habitantes. Os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenções policiais foram as únicas modalidades que apresentaram aumento.
Para a coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão, os números demonstram que a violência contra a mulher possui características diferentes da criminalidade urbana. “Enquanto os homicídios vêm caindo, as mulheres continuam morrendo por serem mulheres”, afirmou.
Além dos casos consumados, o Brasil registrou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, alta de 5,9%. Isso significa que, para cada mulher assassinada por razões de gênero, outras 2,7 sobreviveram a uma tentativa. Também aumentaram os registros de perseguição, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.
O perfil das vítimas mostra que 65,1% eram mulheres negras, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos e 62,5% foram mortas dentro da própria residência. Nos casos em que a autoria foi identificada, 96,4% dos crimes foram cometidos por homens. Os parceiros íntimos representaram 60,9% dos autores, seguidos pelos ex-companheiros, com 18,9%, e familiares, com 12,1%.
O Anuário também revelou que 70 mulheres foram assassinadas mesmo estando protegidas por medidas judiciais. Ao longo de 2025, foram registrados 132.025 casos de descumprimento de medidas protetivas, crescimento de 16,7%. Para os pesquisadores, os números demonstram a necessidade de reforçar a fiscalização, o acompanhamento dos agressores e a intervenção do poder público antes que a violência termine em morte.
Os maiores índices de feminicídio foram registrados no Amapá, em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, indicando maior concentração dos casos nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Fonte: CNN Brasil. Acesso em: 23 de julho de 2026.




