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Depoimento indica suposta trama para forjar acusação de estupro contra vice de Flávio

Um depoimento prestado à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados levantou suspeitas sobre uma possível articulação para fabricar uma acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), atual candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. O relato menciona pagamentos a uma mulher que, segundo o depoente, teria sido orientada a assumir uma identidade falsa e apresentar uma narrativa de abuso sexual envolvendo o parlamentar.

O caso passou a ser apurado após uma assessora de Alfredo Gaspar informar à Polícia Legislativa que havia recebido contato de Luiz Antonio Lopes, que dizia ter conhecimento da suposta armação. Em depoimento, Lopes afirmou ter conhecido uma mulher identificada como Marcela Maria Mendes, que teria sido orientada a se apresentar como “Jailma” e dizer que havia sido vítima de abuso sexual cometido por um político quando ainda era adolescente.

Segundo o relato, Marcela teria recebido pagamentos relacionados à participação no suposto plano. Lopes afirmou que sua própria conta bancária teria sido utilizada para movimentar parte dos valores. Ele mencionou transferências de R$ 10 mil, R$ 4 mil e R$ 2,5 mil. De acordo com a reportagem que revelou o caso, há comprovação documental de pelo menos dois desses pagamentos.

O depoente também afirmou que Marcela participou de uma reunião virtual pela plataforma Google Meet. Segundo Lopes, estavam presentes o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer, um vereador de Nova Iguaçu conhecido como “Toninho da Padaria” e outras pessoas. No encontro, conforme o depoimento, Marcela teria cobrado valores que lhe haviam sido prometidos.

Lopes declarou à Polícia Legislativa acreditar que Lindbergh tinha conhecimento do contexto discutido durante as reuniões. Essa afirmação, entretanto, corresponde à percepção apresentada pelo depoente e ainda depende de apuração pelas autoridades. O parlamentar petista não é apontado no material apresentado como condenado ou formalmente responsabilizado pelos fatos narrados.

A suspeita surgiu depois que Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke encaminharam à Polícia Federal, em março, uma notícia de fato contra Alfredo Gaspar, relacionada a uma acusação de estupro de vulnerável. Gaspar negou as acusações. O caso envolvendo o deputado tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda de acordo com o depoimento, o suposto plano teria como objetivo apresentar Marcela como vítima e, posteriormente, criar uma narrativa de desaparecimento da mulher, atribuindo a Alfredo Gaspar responsabilidade pelo eventual sumiço. Essa versão também integra o relato prestado à polícia e não foi comprovada até o momento.

A Polícia Legislativa segue apurando as circunstâncias descritas no depoimento, incluindo a origem dos pagamentos, a participação das pessoas mencionadas e a veracidade das informações apresentadas. Até a conclusão das investigações, as alegações permanecem no campo das suspeitas e não representam comprovação de participação dos citados em eventual crime.

*O Antagonista.

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