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Jantar de Brasília ganha novo ingrediente: suspeita de pressão sobre André Mendonça

Alexandre de Moraes e André Mendonça Foto: EFE/Andre Borges

Encontro na casa de Alexandre de Moraes reuniu Lula, Davi Alcolumbre e Cristiano Zanin; informação sobre suposta tentativa de fragilizar Mendonça foi atribuída ao colunista Lauro Jardim e ainda não teve confirmação independente

Um jantar realizado em 4 de agosto, na residência do ministro Alexandre de Moraes, voltou ao centro da disputa política em Brasília. O encontro reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro Cristiano Zanin. Oficialmente, a reunião serviu para aproximar Lula e Alcolumbre após o desgaste provocado pela rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O encontro ocorreu fora das agendas oficiais e durou cerca de três horas.

A novidade, porém, é bem mais espinhosa. Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, o nome do ministro André Mendonça teria entrado na conversa, com a discussão de medidas capazes de enfraquecer sua atuação no STF. A informação também foi reproduzida por outros veículos, mas, até o momento, não há confirmação independente de que esse assunto tenha efetivamente sido tratado no jantar. Ou seja: a denúncia existe, mas não deve ser confundida com fato comprovado.

O contexto explica por que a suspeita provoca tanto barulho. Mendonça é relator de investigações sensíveis, entre elas o caso do Banco Master e processos relacionados às fraudes no INSS. A PF pediu mais 60 dias para concluir a apuração sobre o Master após identificar suspeitas envolvendo outros diretores do BRB. Paralelamente, investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, continuam avançando, embora ele negue qualquer irregularidade.

A situação ganhou ainda mais peso porque o próprio governo enfrenta pressão para explicar sua relação com essas investigações. O advogado-geral da União, Jorge Messias, decidiu não levar adiante uma representação contra Mendonça relacionada às decisões do ministro no caso do INSS, alegando preocupação com o agravamento da crise institucional.

Em tempos de instituições que deveriam manter distância segura do jogo eleitoral, um jantar reservado entre presidente da República, chefe do Senado e ministros do STF naturalmente desperta perguntas. Se foi apenas uma tentativa de reconciliação política, caberia aos participantes esclarecer isso. Se houve discussão para limitar ou enfraquecer um ministro responsável por investigações delicadas, a história é muito mais grave. Por enquanto, o prato principal continua sendo uma informação atribuída a uma fonte jornalística. E, em Brasília, quando o assunto é poder, até o silêncio costuma vir com sobremesa.

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