André Mendonça pede manifestação da PGR sobre conversa atribuída a Daniel Vorcaro e recebe novo elemento envolvendo contrato de R$ 131,2 milhões com escritório da mulher do ministro
O caso Banco Master ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (1º) após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) mensagens obtidas pela Polícia Federal que podem envolver o ministro Alexandre de Moraes. Segundo relatos publicados por Folha de S.Paulo, Metrópoles, CNN Brasil, Veja e Poder360, Daniel Vorcaro teria enviado a Moraes uma mensagem na qual mencionava a necessidade de “proteção” de “Andrei” e “Paulo”, nomes que, segundo a investigação, fariam referência ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Mendonça solicitou que a PGR se manifeste sobre o conteúdo.
A revelação ocorre paralelamente à divulgação de dados relacionados a um contrato entre o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro. Segundo informações atribuídas ao Estadão e reproduzidas por outros veículos, metadados do documento apontam que uma versão do contrato, cujo valor chegou a R$ 131,2 milhões, foi editada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” no Office 365. O registro teria ocorrido em janeiro de 2024, depois de o documento ter sido encaminhado por Vorcaro à advogada. O escritório confirmou que Moraes acessou e editou o arquivo, mas afirmou que ele foi consultado para verificar questões de compliance e eventual impedimento legal.
O ponto central, portanto, não é afirmar antecipadamente que houve crime, tráfico de influência ou interferência indevida, mas esclarecer se houve conflito de interesses ou atuação incompatível com as funções de um ministro do Supremo. A própria iniciativa de Mendonça de solicitar manifestação da PGR indica que o conteúdo das mensagens passou a ser considerado relevante para a apuração. Até o momento, porém, não há confirmação pública de que Mendonça tenha formalizado uma investigação específica contra Moraes ou de que exista um placar definido entre os ministros do STF para eventual medida. A cautela é especialmente importante porque o próprio Moraes já negou, em episódio anterior envolvendo mensagens de Vorcaro, que determinados conteúdos tivessem sido enviados diretamente a ele.
O episódio amplia a discussão sobre a relação entre autoridades do Judiciário, órgãos de investigação e personagens sob investigação no caso Banco Master. Mendonça é o relator de medidas relacionadas ao caso e já autorizou a prisão preventiva de Vorcaro, posteriormente submetida à análise da Segunda Turma do STF. A partir das novas informações, a questão que se impõe é objetiva: as relações registradas entre o ministro, sua esposa e o controlador do banco investigado eram estritamente profissionais ou exigem uma apuração independente para afastar qualquer dúvida sobre possível conflito de interesses? A resposta dependerá da análise integral das mensagens, dos documentos e das manifestações oficiais dos envolvidos.
As informações são dos portais CNN Brasil, Cláudio Dantas, UOL Notícias, Revista Oeste.




