Carta assinada por 13 ministros aposentados classifica momento como a “mais aguda crise” da história do Supremo e pede sessão pública para investigar fatos que abalam a confiança da sociedade
A crise de confiança em torno do Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (7). Treze ministros aposentados e ex-presidentes da Corte enviaram uma manifestação ao presidente do STF, Edson Fachin, cobrando a convocação urgente de uma sessão pública para que o plenário determine uma apuração rigorosa dos fatos que vêm atingindo a imagem do tribunal.
No documento, os signatários classificam o atual momento como a “mais aguda crise” da história do Supremo e alertam que os episódios divulgados publicamente estão comprometendo o prestígio e a autoridade da Corte, além da confiança da população e da estabilidade das instituições democráticas. A manifestação defende que qualquer investigação siga o devido processo legal e respeite as garantias previstas na legislação.
Entre os nomes que assinam a carta estão Celso de Mello, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Rosa Weber, todos ex-integrantes do STF. Apesar do tom contundente, o documento não aponta nominalmente nenhum ministro como alvo, não identifica quais episódios deveriam ser investigados e também não pede o afastamento de integrantes da Corte.
Os aposentados afirmam ainda confiar na condução de Fachin e manifestam a expectativa de que o presidente do Supremo convoque o plenário com a maior brevidade possível. A cobrança coloca o atual comando da Corte diante de uma questão institucional delicada: decidir se levará ao colegiado a discussão sobre os fatos que vêm provocando questionamentos públicos sobre o tribunal.
A manifestação ocorre em um ambiente de crescente pressão sobre o STF e de debates envolvendo a atuação de ministros da Corte. Nos últimos dias, diferentes episódios passaram a alimentar críticas de setores da sociedade, da classe política e de entidades jurídicas, aumentando a cobrança por transparência e mecanismos de controle.
Após a divulgação da carta, Celso de Mello afirmou que o documento não se refere especificamente a nenhum caso ou episódio. O ex-ministro declarou manter “equidistância” em relação aos acontecimentos que vêm provocando perda de confiança social na integridade, imparcialidade e independência do Supremo.
O episódio chama atenção justamente pela origem da cobrança. Não se trata de uma manifestação de adversários políticos da Corte, mas de antigos integrantes do próprio STF. Ao defenderem uma apuração pública e formal, os ex-ministros sinalizam que a preservação da credibilidade da instituição depende de respostas claras diante de suspeitas e questionamentos.
Agora, a expectativa se concentra em Fachin. A eventual convocação de uma sessão pública poderá transformar a crise em um debate formal dentro do próprio Supremo e definir como a Corte pretende responder às críticas que, segundo os signatários da carta, já atingiram sua autoridade e a confiança de parte da sociedade.




