Brasil deixa plenário da ONU durante fala de Netanyahu, que reage com críticas
Retirada de diplomatas foi planejada e ocorreu junto com a de representantes de outros países; primeiro-ministro israelense classificou os que permaneceram como “covardes morais”
A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24), no início do discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O gesto foi planejado previamente e ocorreu como forma de protesto contra a atuação do governo israelense na guerra em Gaza. Representantes de diversos outros países também abandonaram o salão.
Ao perceber a saída coletiva, Netanyahu reagiu durante o próprio pronunciamento. “Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora”, afirmou. O primeiro-ministro também defendeu as operações militares de Israel em Gaza e rejeitou as acusações de genocídio, sustentando que o país atua em legítima defesa contra ameaças externas.
Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, a movimentação da delegação brasileira havia sido organizada com antecedência. Inicialmente, apenas um diplomata brasileiro acompanharia a sessão, mas outros quatro representantes chegaram ao plenário antes da fala de Netanyahu. O mesmo tipo de preparação ocorreu com outras delegações, em um protesto que vem sendo registrado nas últimas edições da Assembleia Geral desde o agravamento da guerra em Gaza.
A retirada expõe novamente o distanciamento entre a diplomacia brasileira e o governo israelense. Dois dias antes, durante seu discurso na ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia acusado Israel de praticar “genocídio” em Gaza e defendido uma solução de dois Estados para o conflito. O governo israelense rejeita essa caracterização e afirma que suas operações têm como alvo o Hamas.
A cena também evidencia o ambiente de forte polarização política que marcou a sessão. Enquanto dezenas de delegações deixaram o plenário, representantes israelenses permaneceram para acompanhar o pronunciamento e houve manifestações de apoio e oposição a Netanyahu dentro da Assembleia.


